NINGUÉM É TÃO DO BEM QUANTO PARECE II

O embate político e a necessária discussão das idéias fazem um bem muito grande à democracia. Não podemos fugir a esta dinâmica, ainda que isto nos custe algum dissabor. Olhando com serenidade o noticiário dos últimos dias ficamos a ver dois pesos e duas medidas. Antes de mais nada, devo reconhecer que o cargo de Presidente da República exige uma certa compostura e uma liturgia (sic!) própria. E neste sentido, embora reconheça que o segundo turno para as eleições presidenciais trouxe algumas observações interessantes para a nossa discussão, lamento que o Presidente da República esteja exagerando em muitas aparições e como cabo eleitoral da candidata do PT.

Por outro lado, a gente não se escandaliza, quando o ex-governador de Minas carrega a tira-colo seu candidato a governador e puxa seu guru para o Senado da República, que foi muito bem sucedido no pleito de 3 de outubro. Ninguém observa ou não quer observar o que acontece em São Paulo, em Santa Catarina, em Goiás e em alguns outros estados onde a eleição foi para segundo turno.

Pau que dá em Chico precisa dar também em Francisco. O que vale para alguns não vale para outros? Sem falar num certo cinismo de o candidato da oposição ter sido abandonado todo o primeiro turno em quase todo o país pelos seus próprios correligionários, dada a imposição de cima para baixo de sua candidatura em desfavor de outros nomes e lideranças políticas emergentes dentro do próprio tucanato. Sem contar ainda que não desceu bem história da indicação do próprio vice da chapa tucana, depois da atrapalhada operação ÁLVARO DIAS, pois, para lembrar, nem nos santinhos dos candidatos a deputado estadual e federal saíram muitas vezes os nomes dos candidatos a presidente e vice-presidente.

Não desconsideramos a importância que teve a presença de Marina Silva, pelo PV, na provocação do segundo turno. Se houve segundo turno, é porque quase vinte milhões de eleitores não queriam votar nem num nem noutro candidato mais exposto na mídia. Com os ânimos acirrados, começam os destempero de parte a parte. Padre midiático que ingenuamente caiu na armadilha ardilosamente armada num dos grandes conglomerados católicos de comunicação, bate-boca entre pastores defendendo cada um as brasas para sua sardinha, bispos assumindo posições diferentes, situação esta explorada pela mídia sensacionalista de plantão, numa suposta divisão da Igreja nestas eleições…. and so on! E assim vai. Não há como negar que os fundamentos da economia são herança bendita ainda de Itamar e FHC.

Seria de uma estultice supina e refina querer desconhecer os pré-requisitos do plano real, que se tornou também manobra de eleição. Mas a quem não interessa não vale a pena relembrar isto. Mas também não se pode negar que o mandatário de plantão não tenha sabido administrar bem o país. Para tristeza dos fracassomaníacos dos tempos de FHC. Quem não se lembra do Presidente FHC usando estas expressões. Os fracassomaníacos, espécie quase inextinguível, continuam, somente mudara de margem do rio. Agora estão do outro lado. É triste ver a manipulação eleitoreira que faz de terminados conceitos básicos e fundamentais. O problema é que nossos erros eleitorais, podemos consertá-los ou corrigi-los, somente quatro anos depois. Mas sem esta de ficar pintando nuvens tenebrosas e borrasquentas num horizonte não muito distante. O povo tem o governo que merece, e cabe ao povo, livremente, fazer suas escolhas. Aqui está a beleza da democracia, que deve ser um jogo bem jogado e de maneira limpa e transparente, e não cheio de mentiras, aleivosias, vaidades e engodos como o período em que vivemos no país. Veio, ainda que tardia, mas veio, o reconhecimento do Regional Sul 1 da manipulação e instrumentalização de declarações de comissões diocesanas feitas lá ainda no início do ano. Sendo assim, sempre é tempo de tocar o carro em frente.

Somos muito maiores do que as vaidades de nossos políticos e mandatários. O Brasil é muito maior que tudo isso! Cada um de nós tem suas razões e explicações para fazer com seu voto. E cada um deve fazer o que lhe parece mais justo e razoável. Vamos ver no que vai dar. Não podemos perder a fé nem a esperança. Que Deus nos abençoe, e que a vontade de cada um se manifeste da maneira mais correta e serena possível. Nosso povo é um povo de irmãos e de irmãs, apesar de nossas diferenças. E a beleza de nossa gente está justamente na diferença que nos irmana a todos. Boas eleições! Afetuoso abraço!

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