NINGUÉM É TÃO DO BEM QUANTO PARECE I

Nos últimos dias vimos tanta coisa interessante e ao mesmo tempo estranha acontecendo na grande mídia do país, que ficamos a nos perguntar: o que querem do povo brasileiro, e eu diria, ou melhor, escrevo NOVAMENTE? Procurei respostas e as estou encontrando em vários lugares, mesmo porque a internet tornou-se terra de ninguém, pois ninguém é responsável por nada, ninguém é pai dos monstrinhos ou monstro que ajuda a parir.

Mas existe ainda pessoa verdadeiramente do BEM, segundo os preceitos da filosofia que precisa ser pura e não aquela filosofia pior do que a interessante e hilariante filosofia de botequim. Usaram ou estão tentando usar, instrumentalizadamente, o voto dos religiosos, sobretudo evangélicos e católicos, para conclusões falaciosas e teses enganosas.

Dom Demétrio Valentini é um dos bispos que têm estado atentos aos desvios e desmandos de certa campanha político partidária por aí afora. Vale a pena conferir, ipsis litteris, suas próprias palavras: “ A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais. Esta situação precisa ser esclarecida e denunciada. Está sendo usada uma questão que merece toda a atenção e isenção de ânimo para ser bem situada e assumida com responsabilidade, e que não pode ficar exposta a manobras eleitorais, amparadas em sofismas enganadores.

Nesta campanha eleitoral está havendo uma dupla falácia, que precisa ser desmontada. Em primeiro lugar, se invoca a autoridade da CNBB para posições que não são da entidade, nem contam com o apoio dela, mas se apresentam como se fossem manifestações oficiais da CNBB. Em segundo lugar, se invoca uma causa de valor indiscutível e fundamental, como é a questão da vida, e se faz desta causa um instrumento para acusar de abortistas os adversários políticos, que assim passam a ser condenados como se estivessem contra a vida e a favor do aborto. Concretamente, para deixar mais clara a falácia, e para urgir o seu desmonte: A Presidência do Regional Sul 1 da CNBB incorreu, no mínimo, em sério equívoco quando apoiou a manifestação de comissões diocesanas, que sinalizavam claramente que não era para votar nos candidatos do PT, em especial na candidata Dilma.

Ora, os Bispos do Regional já tinham manifestado oficialmente sua posição diante do processo eleitoral. Por que a Presidência do Regional precisava dar apoio a um documento cujo teor evidentemente não correspondia à tradição de imparcialidade da CNBB? Esta atitude da Presidência do Regional Sul 1 compromete a credibilidade da CNBB, se não contar com urgente esclarecimento, que não foi feito ainda, alertando sobre o uso eleitoral que está sendo feito deste documento assinado pelos três bispos da presidência do Regional. Esta falácia ainda está produzindo conseqüências. Pois no próprio dia das eleições foram distribuídos nas igrejas, ao arrepio da Lei Eleitoral, milhares de folhetos com a nota do Regional Sul 1, como se fosse um texto patrocinado pela CNBB Nacional. E ISTO NÃO FOI, NÃO É E NÃO SERIA JAMAIS VERDADE E ATITUDE DA CNBB!

E enquanto este equívoco não for desfeito, infelizmente a declaração da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB continua à disposição da volúpia desonesta de quem a está explorando eleitoralmente. Prova deste fato lamentável é a fartura como está sendo impressa e distribuída. DE MANEIRA MALDOSA E ACINTOSA, DIGA-SE DE PASSAGEM. Diante da gravidade deste fato, é bem vindo um esclarecedor pronunciamento da Presidência Nacional da CNBB, que honrará a tradição de prudência e de imparcialidade da instituição. A outra falácia é mais sutil, e mais perversa. Consiste em arvorar-se em defensores da vida, para acusar de abortistas os adversários políticos, para assim impugná-los como candidatos, alegando que não podem receber o voto dos católicos. Usam de artifício, para fazerem de uma causa justa o pretexto de propaganda política contra seus adversários, e o que é pior, invocando para isto a fé cristã e a Igreja Católica. Mas esta falácia não pára aí. Existe nela uma clara posição ideológica, traduzida em opção política reacionária.

Nunca relacionam o aborto com as políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida. Votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, E AQUI POR QUESTÃO DE JUSTIÇA SE DEVE ENTENDER O NEO-LIBERALISMO, DE PRISCAS ERAS…. e se declaram em favor da vida. Em nome da fé, julgam-se no direito de condenar todos os que discordam de suas opções políticas. Pretendem revestir de honestidade, uma manobra que não consegue esconder seu intento eleitoral. Diante desta situação, são importantes, e necessários, os esclarecimentos. Mais importante ainda é a vigilância do eleitor, que tem todo o direito de saber das coisas, também aquelas tramadas com astúcia e malícia.”

E cabe a cada um de nós fazer comparações e investigar fatos e situações concretas dos últimos 16 anos de exercício da Presidência da República. Não podemos nos esquecer do que éramos, de como estávamos e do que temos e de como estamos nos dias de hoje. Para continuar a conversa começada aqui, NINGUÉM, ABSOLUTAMENTE, NINGUÉM É TÃO DO BEM QUANTO GOSTARIA DE APARECER…….. E vamos mostrar que limitações e defeitos existem nas duas correntes políticas que estão disputando a Presidência da República neste segundo turno. É preciso ter coragem e tirar a plumagem, muitas vezes afetadamente colorida…… Vamos ver! pe.zemaria@veloxmail.com.br; www.igrejamatrizcl.com.br

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