COMITÊS ELEITORAIS – CÉLULAS DE TERRORISMO?

Já estamos em plena campanha eleitoral. Esta já começou, sub-reptciamente, faz muito tempo. Um dica daqui, uma indicação dali. Uma firula acolá. Para quem tem um relativo senso de humor, é muito divertido ver certos senhores e senhoras, todos, sem exceção, dentro de ternos e vestidos, cuja tonalidade não tem nada a ver com o momento presente, andando pelas ruas, parando pelas praças, entrando em barzinhos e lanchonetes, com aqueles inesquecíveis e, muitas vezes chatos e falsos, tapinhas nas costas. É um tempo de delicadeza e amabilidades. Talvez seja por isso que, depois de eleitos, tantos políticos desaparecem do mapa. Devem ficar enfarados de tanto povo, de tanta gente do meio da gente. Aí precisam de uns 3 a 4 anos, para se purificarem, para se lavarem daquele banho de rua obrigatório, imposto pela lei eleitoral e pelas regras que orientam as eleições. Sinceramente dá dó, mas muito dó mesmo, ver nossos políticos sendo tão humilhados em época de eleição. E deve ser por isso também que, mais uma vez depois de eleitos, existe todo aquele aparato de segurança e tudo o mais que envolve a pessoa do eleito. Bom, acho que os senhores candidatos não vão gostar muito disso aqui não. Mas continuando. Um período também é riquíssimo: são muitas as experiências que, ao longo dos anos, recebemos, uma campanha aqui, outra ali e a vida vai. E política é mesmo como uma boa cachaçinha: quem toma um gole, se ela desce macia, sem ofender e machucar o gogó. Hummmmm! A gente acostuma. E ela na medida justa e na hora certa, com um bom tira-gosto e uma boa carninha, faz um bem danado. Alguns políticos não abandonam mesmo o troço. Vira e mexe, tem alguém mais exaltado falando isso, lembrando aquilo. Mas o que me diverte muito também neste período eleitoral é a situação de excesso e de exceção que se cria, quase sempre acontece dentro do Comitê Eleitoral. Já fui a alguns, e quando posso, me divirto participando de determinadas cerimônias, porque é no mínimo jocoso, tirando alguns momentos mais tensos. O pessoal que fala e freqüenta comitê eleitoral não deve ter conhecimento das prerrogativas constitucionais de que usufruímos, gozamos dentro de um estado democrático de Direito. Aliás direito aqui, só vale o direito deles. Dos candidatos e dos assessores, não uso outras palavras, para não ser deselegante e ofender ninguém. Mas que alguns deles subestimam nossa inteligência e nosso conhecimento, ah!, isso lá subestimam. Sem dúvida alguma. E o estado de terror que se cria então, para justificar porque devemos votar em fulano, sicrano e beltrano: porque se for o outro candidato, vai acabar isso, vai acabar aquilo, a cidade vai perder isso, vai perder aquilo, e aí vale o dito de que quanto pior melhor. Até parece que não estamos regidos por uma Constituição, cujo Vigia Supremo é a mais alta corte institucional do país, O FAMOSO STF. Assim não pode, assim não dá!, para lembrar um bom programa de humor, fazendo aquela gozação com um já antiqüíssimo mandatário de plantão no Palácio do Planalto. E quando saem aquelas pérolas nos discursos inflamados? Uma insignificância atrás da outra. Sem falar na história de que todos nós participamos e construímos, bem ou mal, mas construímos. Agora implantar este estado de terror não ajuda em nada, pois que as propostas devem ser apresentadas, mas sem aquele terrorismo abominável que pervade nossos comitês, como se não tivéssemos mais nada para fazer na vida a não ser votar, e deveríamos estar num momento muito grande e de importância suprema, que, se não votarmos no candidato tal, nossa cidade, nossa região vão ser tiradas instantaneamente do mapa. Ora, não nos esqueçamos de que temos uma Constituição Federal, sob cuja proteção todos nos encontramos e estamos. E é precisamente por isso, que os direitos fundamentais da pessoa humana devem ser resguardados, sobretudo o direito da opinião própria e das escolhas livres. Sinceramente não vejo com bons olhos, e nem se quisesse, o terrorismo que está à solta na cidade, com falas inoportunas e inconseqüentes, de que se tal candidato não vencer, a terra vai ficar arrasada. Vai nada! Tudo vai continuar do mesmo jeito. Talvez um pouco melhor ou um pouco pior. Mas a filosofia da terra arrasada já não cola mais. E não pode colar, para quem tem um mínimo bom senso. A Lei de Responsabilidade Fiscal está aí. A Ficha Limpa está aí, e já é uma realidade. A Lei 9840 está aí, e tem tirado o sono de muito político corrupto e desonesto. E todo o ordenamento jurídico que temos. Isto para preservar os direitos fundamentais e resguardar o direito inalienável do contraditório. Ou acham que a gente é tão bobo assim? Eu, da minha parte, continuo com aquele meu pensamento: enquanto acham que sou bobo, não me importo, mas quando passam a acreditar que sou bobo, aí então está na hora de colocar os devidos pingos nos iis. Enquanto isso, com responsabilidade, sobretudo nós formadores de opinião, vamos nos divertindo com as situações engraçadas e esquisitas que nos oferecem nossos comediantes de plantão. Basta saber ler nas entrelinhas, que a gente vai perceber o que tem por aí afora. Até a próxima.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *