Arquivo do Autor: Pe. José Maria Coelho da Silva

12ª Coluna Jogo de Cintura 19.05.2013 Cada um no seu quadrado? Estado em excesso!

Lafaiete, como quase sempre, vez que outra, tem uns eventos e acontecimentos, se não interessantes pela própria natureza da coisa, pelos menos por alguns conceitos que nos deixam ou maravilhados, extasiados ou mesmo sob estado de choque, seja lá qual for, que não seja pelo menos aquele de uma forte corrente elétrica. Fato é que as coisas vão se desenvolvendo de uma maneira bastante inusitada, digamos assim. E há fatos relevantes, não resta a menor dúvida, embora sobre eles recaia um laivo de desconfiança. Ou existem mesmo aquelas pessoas de plantão para somente criticar e depreciar o que os outros fazem. E esta é uma atitude muito cômoda, diga-se de passagem. Nas redes sociais, encontramos farto conteúdo de contestação, de xingamento, de impropérios e tantas outras coisas. Aliás, aos poucos, até mesmo alimentado por uma imprensa à qual interessa mais a fofoca e a desunião, do que o esclarecimento e a informação correta, e isto vem alimentado pelos meios de comunicação que querem cada vez mais jogar gasolina na fogueira. Falta uma responsabilidade com a credibilidade das informações e uma verificação mais serena e ponderada, antes de jogar o nome das pessoas em comentários nefastos nas redes sociais. Até as redes sociais têm se tornado o campo dos esclarecimentos e das explicações dos arranca-rabos que têm tido algumas de nossas estrelas do showbusiness em nosso país. Haja vista o bate-boca e as fofocas do cotidiano. Fico escandalizado com a leveza e a leviandade com que assuntos de foro íntimo ou que dizem respeito à vida familiar são, de uma hora para outra, expostos nos meios de comunicação, porque já extravasaram os limites do bom senso e da cautela familiar. Certo é que jogado o nome ou a fama da pessoa numa rede social, nada mais se poderá fazer para limpar a honra e a dignidade daquela pessoa. Estávamos todos na inauguração do Fórum Assis Andrade em nossa cidade, aliás uma obra necessária, indispensável, e que, por vários motivos e circunstâncias, chegou já tarde, pois as instalações do fórum de então não acolhiam com a devida honra e praticidade os processos e as demandas judiciárias de nossa comarca, quando o orador principal e atual diretor do foro, repisava uma assertiva que tinha endereço certo: cada um no seu quadrado; e eu, tendo sido chamado para, em nome da Igreja Católica, ali representada pelos mais de 85% dos presentes, dar a bênção também das novas instalações, para além da belíssima exposição do seu pensamento e das conjecturas havidas e tidas na construção da nova casa da justiça em nossa cidade e comarca, aula essa reconhecida pelo próprio governador do Estado, confesso que me tocou e me senti incomodado com a repetição do pensamento do ilustre orador, com quem comungo algumas idéias e compartilho a graça de termos nascido no mesmo torrão. Nos últimos anos temos tido uma interferência cada vez maior da estrutura estatal no “modus vivendi” de cada um de nós. Há uma sobrecarga de presença do Estado na vida do cidadão, seja pela cobrança exaustiva e exagerada de impostos e taxas, como seja pela interferência direta no modo de pensar e de agir das pessoas. Estou muito preocupado, pois poder demais ao Estado, data vênia, e salvo melhor juízo, segundo os grandes tribunos de nossos egrégios tribunais, pode causar uma falsa impressão de que o Estado é o soberano senhor da vida de todos nós, e daí até às conclusões, temos um bom pedaço de chão para percorrer, durante o qual passamos por ditaduras e autoritarismos ideológicos e filosóficos. Há que se redimensionar a presença do Estado na vida do cidadão, uma vez que a individualidade não pode vir a menos, sem que percamos grandes valores da nossa cultura e da nossa maneira de ver e de viver os desafios de nosso dia-a-dia. Precisamos rever quanto antes esta presença do Estado, dados os desafios que nos esperam como povo e como nação diante dos grandes eventos que estamos para presidir e acolher nos próximos anos. Alerto, contudo, para que o “cada um no seu quadrado” não seja também ou se torne ocasião de nãos nos comovermos ou nos interessarmos com os problemas que continuam afetando grande parte de nossa população. Hoje está em voga, de maneira sutil, um certo indiferentismo religioso ou relativismo moral, em que nossas escolhas e opções são contestadas por considerada parcela da sociedade, que ainda não conseguiu fazer uma reflexão mais ampla dos vários aspectos da nossa vida social. Quae cum ita sint, sendo assim, vamos nos dar as mãos, em nome da fraternidade universal, na tentativa de retirar dos quadrados de nossas vidas aqueles cantos nos quais podemos nos recolher e nos fechar e nos isolar, sem que nos abramos para outras experiências e uma indispensável renovação interior. Decorre disso que o círculo, ao contrário do quadrado, sempre nos inspira uma atitude de mais semelhança com todos, superando nossa limitações e fraquezas, tirando-nos daquela tentação do isolacionismo ou do individualismo exacerbado. Cada um cumpra com suas obrigações, segundo os ditames da própria consciência e da lei moral. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

11ª Coluna Jogo de Cintura 13.05.2013 Maioridade Penal, Para quê? Minoridade laborativa!

 

Existe um frenesi em todo o país ultimamente sobre a discussão a respeito da maioridade penal. Várias autoridades capitaneadas, sobretudo, pelo governador do Estado de São Paulo, estão envolvidas com a proposta de redução da idade para criminalizar jovens infratores e daqui a pouco crianças infratoras. Isto me parece mais,  na verdade, data vênia, como dizem os ilustres jurisconsultos, cachorro correndo atrás do próprio rabo. Corre, corre, na esperança de alcançar, mas que, no fundo, todos nós sabemos que não vai conseguir. E os Meios de Comunicação Social, cuja data celebramos sempre, na Igreja Católica, no dia da festa litúrgica da Ascensão do Senhor, têm dado importante relevância ao tema. A televisão vende e muito bem seu sensacionalismo grotesco e barato, porque pega boa parte da população num momento de choque emocional e desestabilizada por uma ou outra situação, às vezes, chocante, que acaba nos assustando a todos, isto também é verdade. Isto ainda vai dar muito pano para manga, dependendo do corte da roupa. A violência estudantil então está chegando a patamares nunca antes imaginado. Nem os adolescentes nem os jovens são somente e unicamente culpados em todos estes processos. Cada um de nós tem uma boa parcela de culpa e de omissão nesta questão. Invertemos, já faz tempo, a nossa escala de valores, e com algumas desculpas de gente que não tem o que fazer, estamos construindo, no topo de nossa arrogância, uma sociedade cada vez egoísta e individualista, marcada por um consumismo destruidor. E neste balaio entram todos: poder político, poderes constituídos, igrejas e formadores de opinião. A solução não virá num passe de mágica, e não está dito que a maioridade penal seja, na verdade, a resposta e a solução para o problema que se nos antepõe. E porque procuramos respostas mirabolantes, não nos damos conta de que a solução é bem mais simples. Culpo, antes de mais nada, uma visão equivocada de uma certa elite burocrata e de gabinete, que não percebe os fundamentos básicos de boa convivência em todo e qualquer nível de relação social. Costumo dizer aos jovens com quem me encontro frequentemente que a disciplina deve ser nossa amiga e nunca encarada como inimiga. Pois somente o jovem disciplinado e equilibrado vai ser um homem ou mulher do bem e fazer as coisas para o bem. Isto é tão claro como a luza do sol ao meio dia. Ao lado da disciplina, indispensável na formação do caráter e no desenvolvimento das qualidades intelectuais e humanas que norteiam nossa relação social, existem outros fatores que considero preponderantes: dedicação aos estudos, apego exagerado à leitura no idioma pátrio e em outros idiomas, prática constante de esportes e trabalho, bastante trabalho. Discordo veemente de uma visão estranha e esquisita de certo grupo de autoridades que se colocam contra o trabalho de menores e de crianças. E quase sempre vem com a conversa, para mim muito fiada mesmo, de que criança tem que brincar e estudar…. Chegaria a ser irônico, se não fosse trágico. Não me digam que sassaricar os dedos em cima de um teclado de computador ou celular seja brincadeira e diversão. Pelo contrário, é uma imposição positivista de um conceito equivocado de consumismo aliado perversamente a uma idéia de prazer, sem qualquer fundamentação conceptual. Temos que ter todos os mais novos e recentes aparelhos eletro-eletrônicos, com os maiores e sofisticados programas… Se nossas crianças trabalhassem mais e desde mais cedo, acredito que veríamos menos problemas do que aqueles que vemos hoje. Discutir idade ou maioridade penal é correr atrás do próprio….. Não me consta que nem nossos pais, nem nossos avós ou irmãos mais velhos se tornaram menos gente, quando tinham, ainda crianças de 7, 8 10 anos, a obrigação de sair com um balaio na mão, várias vezes na semana, vendendo as verduras colhidas na horta, para ajudar no equilíbrio orçamentário dentro de casa. E as famosas caixas de picolé? Ali se ganhava um dinheirinho justo e tranquilo. E as inesquecíveis caixas de engraxate, que víamos em nossas praças e nas portas das Igrejas de uma época? Lamentavelmente não vemos mais isto hoje e tenho uma saudade enorme de encontrar um engraxate nas nossas praças para um bom papo e um passatempo agradável. Como era gostoso e divertido. Conheci, ao longo de minha já não tão curta vida, engraxates maravilhosos, que contavam casos engraçadíssimos de travessuras e traquinagens, que, hoje, raramente vemos, a não ser ainda mais no interior do país. Criamos uma situação insustentável de Estado demais em nossas vidas. Isto não vai terminar bem. Criança tem que brincar sim, concordo absolutamente, mas acho que criança tem que começar a ter responsabilidade também mais cedo. Tem que ter tarefas que devem ser cumpridas e entregues na hora certa, trabalhos domésticos, e outros tipos de ocupação, que não sejam aquelas de computador demais, internet demais, academia demais, cursinhos de línguas demais e estudo de menos. Como disse e repito, estamos passando por uma grave crise de valores. Vamos redescobrir o valor do trabalho e da ocupação, da responsabilidade e do compromisso com a vida, dom sagrado de Deus. Ou revemos imediatamente alguns conceitos, ou continuaremos a ver assassinatos transmitidos ao vivo e a cores pelas televisões, casos escabrosos de pedofilia em todos os segmentos da sociedade, comportamentos doentios e esquizofrênicos de nossos adolescentes e jovens. Vejo com muita preocupação esta história, para mim bastante furada, de que criança não deve trabalhar. Acho que deve sim, e existem muitas atividades que não prejudicam nem a formação psicofísica das crianças e nem a sua acuidade intelectual. Ou revertemos o quadro agora ou terá sido tarde demais, quando nos dermos conta do que estamos criando dentro de nossas casas. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

10ª Coluna Jogo de Cintura 05.05.2013 Amor de mãe, amor estranho!

Todos, de uma forma ou de outra, somos marcados pela presença de alguma pessoa em alguns momentos durante toda a nossa existência. Mas existe uma marca profunda em nossas vidas, cuja substituição jamais seria possível e cuja presença jamais seria suplantada: Mãe. Descrever os sentimentos de uma moça ou de uma mulher, ainda não mãe, as duas, seria até possível, mas depois do milagre da maternidade, tentar entender os sentimentos e as emoções de uma mãe, aqui está um dos problemas na esfera e saúde sentimental e emocional dos mais intrincados e complexos. Ao conviver com nossas amigas, sejam aquelas mais íntimas ou aquelas do bate-papo mais rápido, do encontro casual, da hora jogada fora numa roda de amigos, a gente vai aprendendo o doce e misterioso mundo e universo femininos. E não é fácil, pois há momentos em que nos vemos diante de grandes desafios e de grandes tribulações emocionais e afetivas. Há um quê de misterioso na estrutura psicofísica de uma mulher. Sei lá, mas acho que Deus se superou na criação da mulher na medida em que Ele entrelaçou, de forma única e inequívoca, vários sentimentos e várias nuances do seu poder criador. Numa mulher convivem facilmente os sentimentos da insegurança e da coragem avassaladora que enfrenta o mundo todo se for preciso; os sentimentos da iniciativa e da dependência emocional e física de seus afeiçoados; os sentimentos da disponibilidade e do profundo senso de posse e domínio, sobretudo quando seu território está sob perigo; os sentimentos de uma profunda espiritualidade e a preocupação, às vezes exagerada, com a aparência física e com o que os outros vão falar delas; os sentimentos de ternura inexplicável e de uma força cruel, capaz de levar qualquer um aos mais altos e sublimes píncaros como também aos mais profundos dos infernos. Aqui me lembro do antigo e saudoso mestre e diretor espiritual nos tempos de Seminário em Mariana, Monsenhor Antônio Russo: “Não pretendam nunca entender uma mulher em suas vidas, ou de leigos ou de consagrados; aprendam sempre a admirar sua tenacidade, sua coragem e sua extremada capacidade de amar, acima de tudo e contra todos.” Sentir esta ternura e usufruir deste amor são experiências únicas em nossas vidas. Sobretudo para nós homens, envolvidos com tantos afazeres e responsabilidades do nosso dia-a-dia. O lar é profundamente aquecido pelo calor amoroso de uma mulher dedicada e responsável, elemento este indispensável para que sejamos mais equilibrados e mais maduros em nossas tarefas e responsabilidades. Os desafios são enormes. Mas vale a pena a experiência do dia-a-dia. O amor de mãe, sobretudo, é muito diferente e muito especial, dado que dele precisamos desde os primeiros instantes de nossa concepção, num potente ato amoroso de Deus, que marcou indelevelmente nossas vidas pela presença de nossa mães. Quando uma mulher se torna mãe, seja lá de que maneira for, Deus planta em seu organismo uma capacidade tal de superação jamais vista no reino animal, o que, na verdade, não significa que ela não tenha seu coração despedaçado pela perda de um filho, de uma filha ou do próprio marido. Não. Mas Deus caprichou, ao colocar um sentimento tão puro e tão forte no peito de uma mulher. E precisamos aprender a reconhecer isso, de uma forma ou de outra. O amor de mãe é algo tão sublime e tão inesgotável, que não me canso de apreciar o brilho no olhar das mães que conheço e cujos sentimentos admiro, com uma pontinha de inveja de quem tem tanto amor e nem sempre sabe reconhecer a bênção que é o amor de mãe. Faço nesta semana uma afetuosa homenagem a todas as mães. E me uno a todos aqueles e aquelas que não têm mais a oportunidade de se recostarem no colo de uma mãe ou de sentirem o calor de seu abraço e a ternura de seus beijos e carícias. Se há algo maravilhoso no ser humano é a sua capacidade de expressar ternura e afeto. E as mães esgotam toda a potencialidade divina na expressão destes sentimentos. Por isso acho e sempre achei o amor de mãe deliciosamente estranho e divino. Deus abençoe as nossas mães! Beijo carinhoso em todas….. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

9ª Coluna Jogo de Cintura 29.04.2013 E os nossos hospitais, para onde vão?

Estamos novamente às voltas com os graves problemas que afetam nossos hospitais, e por conseguinte, toda a nossa infraestrutura na área da saúde. Entra governo, sai governo, cada vez mais nos olhamos com tristeza e amargura existencial, uma vez que não conseguimos encontrar as soluções práticas para os graves problemas com que nos deparamos. O drama maior fica para aqueles que dependem basicamente do mínimo necessário, pois nem todos têm condições financeiras equilibradas e tranquilas o suficiente para bancar um bom plano de saúde. Sem falar que as operadoras ou concessionárias de plano de saúde trabalham num corporativismo insuperável e incontrolável, colocando a parte mais frágil e insegura num processo desmesuradamente incongruente e inconsequente no trato de questão cada vez mais agravada como são as pessoas das classes sociais mais baixas. As notícias que temos não são as mais alentadoras, mesmo porque não sabemos na verdade como anda a saúde financeira dos nossos hospitais. Em Conselheiro Lafaiete, a demanda pela saúde é enorme, dado o centro de referência que se tornou a nossa cidade para as cidades circunvizinhas. E a responsabilidade não é somente dos administradores de nossa cidade. Todo mundo vem para Lafaiete tratar de sua saúde, e não temos tecnicamente como mesurar esta demanda, visto que nossos centros de atendimentos vivem constantemente lotados e a capacidade de resposta prática e imediata dos operadores da saúde nem sempre é satisfatória. Herdamos um sistema combalido, quanto falido de uma estrutura inepta e ineficiente. Não se trata aqui de jogar pedra em quem quer que seja, entretanto seja de esperar dos administradores que procurem e apontem soluções para o drama que vivemos. Por outro lado as conversas a “quatro olhos” nos dão conta e ciência de que existem graves questionamentos que precisam de ser feitos sobretudo aos operadores da saúde que usam as dependências dos hospitais para utilização de equipamentos particulares, não correspondendo com o devido pagamento de aluguel do ambiente utilizado. Existe aí alguma situação de espólio e uso indevido de um espaço que deve estar à disposição de todos e não de interesses particulares. Precisamos de esclarecer estes pontos e deixar a comunidade a par da real situação, uma vez que se atira para todos os lados, muitas vezes enxovalhando a honra e a dignidade de pessoas honestas, e nem sempre as questões são abordadas com a devida seriedade e clareza. Há interesses escusos. E como os há! Uma parte da sociedade se mobilizou e se mobiliza para ajudar a encontrar as soluções, mas os conchavos políticos, as vaidades pessoais e algumas ambições financeiras não deixam as soluções dos problemas tomarem seu curso devido. Não seria o caso de nos sentarmos todos, especialistas e analistas, operadores da saúde e formadores de opinião, aqui inclusos os líderes religiosos e de igrejas para procurar juntos as soluções para os nossos problemas? O clima tende a piorar, porque as picuinhas começam a aparecer e os interesses financeiros e corporativistas são muito grandes. Alguém não quer largar a teta da vaca dos peitos dourados, pelo menos por enquanto, e a corda vai esticar até um ponto, a partir do qual depois vai ficar difícil restabelecer qualquer tipo de diálogo. A situação é gravíssima e não podemos nos furtar a conversar e rediscutir os problemas e as dificuldades que permeiam estas tratativas. Não é possível conviver numa sociedade onde poucos levam lucro e vantagem exacerbadas em cima do sofrimento da população mais carente e desprovida de recursos. Pesa sobre os médicos, de modo especial, diante de Deus, sobretudo, a responsabilidade de sua consciência livre e soberana, de acordo com o juramento feito no dia da colação de grau. Não queremos desmerecer e desconhecer a dedicação dos médicos e operadores outros da saúde, mas é preciso que revisitemos nossos ideais e propósitos de apenas formados nas escolhas que fizemos livremente no início da nossa juventude e no início de nossas carreiras profissionais. Existe muita gente generosa e dedicada, mas existem alguns outros que chegam ao exacerbado mercenarismo. Pesará sobre todos nós o julgamento do Senhor! Confio em que as pessoas sérias e responsáveis encontrarão as respostas para as perguntas que nos pomos nas atuais circunstâncias. Ainda acredito que chegaremos ao denominador comum e a um bom termo. Não vejo razoável e plausível sensatez deixar que hospitais se fechem por causa de vaidades pessoais de quem quer que seja. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

8ª Coluna Jogo de Cintura 14.04.2013 Mais Saúde?

Entra ano e sai ano, nosso problemas e dificuldades, quando não aumentam, e sói que aumentem, continuam na mesma toada e cadência pachorrenta. Não há lugar que a gente frequente, que não haja sempre um grande muro das lamentações. A situação não está nada fácil para ninguém. Mas existem ou acontecem algumas coisas que, realmente, nos tiram do sério. Nem vou fazer deste minifúndio um muro de lamentações, como aquele que está em Jerusalém. Nossos muros aqui são outros. Uma coisa é certa ou investimos para valer no binômio: Saúde e Educação, como forças catalisadoras de todas as nossas boas energias, ou corremos o risco de deixar para nossos pósteros um mundo capenga de suas mazelas infindáveis. Cada deve e pode fazer um pouco. Embora goste muito de filosofia, e acho até que o que serve no nosso dia-a-dia é mesmo um conteúdo filosófico, a gente esperneia pra lá e pra cá, e nunca acha o fim do novelo das lamúrias e desilusões. Fico a imaginar, ainda que não seja lá um bom patrício, quão arriscado é a gente colocar a cara a tapa. E isto tem que fazer da melhor maneira possível qualquer político que se preze. Não há escapatória. Ou vai ou racha. Esta é a grande verdade…. Outra verdade seja dita ou escrita: há muita gente nem indo nem rachando… isto é uma grande pena. Pena como aquela da maior ave que possa existir. Um dos terríveis males por que passa o nosso país, e entra governo, sai governo, em todos os níveis e esferas, e a gente ainda não encaixou um golpe certeiro de como acabar com os graves problemas da saúde para o nosso povo e nossa gente. Vale ressaltar também que precisamos imediatamente mudar nossos hábitos, sem aquelas “neuras” que rondam todo bom consultório médio, sobretudo dos nutricionistas. Existe alguma coisa que chega às raias do “dantesco” com relação a este assunto. Mas ou mudamos nossos hábitos ou nos enchafurdamos num lamaçal sem retorno. Eu também não tenho fórmulas prontas, mas acredito em pequenos gestos e atitudes que podem fazer uma grande diferença. Dormir o suficiente, mas dormir bem, este é um dos segredos. Oferecer ao corpo, sobretudo depois de um grande dia de trabalho e apertos um descanso merecido. Aliás a Igreja muito sabiamente ensina a seus filhos a pedirem a Deus: um repouso tranquilo e um sono verdadeiramente reparador. Outro hábito indispensável: um porre de água todos os dias… mas muita água mesmo. O máximo de que somo capazes, para consumir. É uma declaração de amor que fazemos aos nossos maravilhosos rins. Estes órgãos são benditos dentro de nossos corpos. Há pessoas entre nós que, lamentavelmente, são capazes de passar horas e horas sem um gole de água sequer. Isto é lamentável e deplorável. A água nos ajuda a purificar nossos corpos de toxinas que levam embora nossa saúde. A água é um poderoso alimento de limpeza do organismo e de purificação. Vale a pena insistir e ensinar às nossas crianças e adolescentes o saudável uso da água no nosso dia-a-dia. Não saio de casa sem uns bons dois copos duplos de água todos os dias…. Bem verdade que isto também cria alguns embaraços, quando tudo funciona maravilhosamente bem… e nem sempre a gente pode ter o socorro de um banheiro mais próximo…. e aguentar uma bexiga cheia nem sempre é tão fácil e simples assim. Mas é preciso tomar muita água, mas muita mesmo! Ainda que isto nos custasse algum dindim. Vale a pena. Tenho visto que as pessoas não dão a necessária importância a estes pequenos gestos de sobrevivência e de lubrificação de nossa máquina corpórea. Que Deus nos abençoe pelos maravilhosos rins que temos e que eles nos ajudem a louvar o Senhor de todas as formas possíveis. Tomara que ao terminar a leitura deste texto, você se levante de onde está e vá à cozinha, ao seu filtro e tome um bom gole de água. Já vou me dar por satisfeito. Mas quem sabe a gente não passe a fazer isso mais frequentemente e todos os dias, várias vezes por dia, hein? Pense nisso. E boa saúde. Nem precisa de mais sáude. Só o suficiente! Boa sorte e bom trabalho para seus rins. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

7ª Coluna Jogo de Cintura 14.04.2013 Maioridade Penal Resolve? Você acha?

Estamos diante de alguns quadro no espectro social que nos deixam assoberbados e nos colocam naquilo que alguns experts poderia chamar de sinuca de bico. Quem de nós não passou maravilhosas tardes de sábados ou deliciosas manhãs de domingos, depois de alguns momentos mais intensos de estudos ou leituras, ao redor de uma mesa de sinuca ou bilhar como queiram. Lembro-me das tantas vezes em que defendi o dindim para cinema e a pipoca da noite, depois das missas, sobretudo aos domingos à noite, ou quem sabe uma pizza com os amigos e as amigas, numa rodada de sinuca, à tampinhas, na nossa adolescência ou tardia infância. Sobretudo naqueles tempos em que a gente frequentava o bar do famoso e, quase por toda a molecada da rua, carrasco Zé Araújo. Tempos bons aqueles durante os quais ainda desfrutávamos de eventos gostosos e que se tornaram inesquecíveis, embora ainda esteja solenemente guardados no baú de nossas reminiscências. Terrível era quando na partida de sinuca, nosso adversário nos deixa naquilo que chamamos de sinuca de bico, jogada em que a gente não tinha como tocar a nossa bola da vez, sem mexer com a bola do adversário, porque aí estaríamos fritos e quase sempre torrados. Tenho muito boas lembranças e saudades daqueles tempos, tempos de nossas auroras da vida. Ma Ba, tchê! Ainda havia alguma magia nas estripulias e confusões que aprontávamos. Hoje me dói a alma ver muitas crianças imbecilizadas na frente de um computador ou estereotipadas diante de um celular. E criança hoje está entrando no rol dos grandes e perigosos bandidos. Cada vez mais vemos crescer a violência, sobretudo na esfera infanto-juvenil em nosso país. Quantas vezes somos atordoados por notícias e acontecimentos que nos horripilam. A violência desenfreada, sobretudo nas camada mais pobres, tem despertado nossa ira e nossos rancores, speciali modo, quando vemos mortes estúpidas e assustadoras, perpetradas por meninos e meninas com pouca idade. Existe, dados os últimos acontecimentos, e porque a vida, como dom sagrado, está banalizada, pois hoje se mata e se morre por muito pouca coisa, uma corrente de estudiosos, políticos e autoridades legitimamente constituídas, levantando a bandeira da maioridade penal para adolescentes. Uma discussão e tanto que não pode ser abordada levianamente no calor das emoções e dos destemperos comportamentais de uns e outros. A morte de um estudante paulistano assaltado por um adolescente que estava às vésperas de completar 18 anos trouxe à tona novamente a discussão a respeito da redução da maioridade penal no Brasil, tema que vem dividindo juristas e entidades defensoras dos direitos humanos há pelo menos 20 anos. Diante da comoção popular, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nestes últimos dias que enviará ao Congresso Nacional uma proposta de reforma no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ampliando o rigor contra jovens infratores. Apesar do novo fôlego garantido pela repercussão do caso, a proposta não é inédita: tramitam na Câmara e no Senado ao menos cinco projetos que defendem que adolescentes possam responder penalmente como adultos. Apesar de parcelas da sociedade defenderem a inclusão do tema nas discussões em torno da reforma do Código Penal, a redução da maioridade penal não foi abordada no anteprojeto entregue no ano passado pela comissão de juristas definida pelo Senado. O motivo é o fato de que a diferenciação entre adultos e adolescentes está prevista no artigo 228 da Constituição Federal, de forma que leis ordinárias como o ECA ou o Código Penal não podem ser contrárias à Carta Magna. Para que seja possível a redução, portanto, é necessária a aprovação de uma proposta de emenda à constituição (PEC). As propostas do endurecimento da legislação contra adolescentes infratores encontram amparo em pesquisas de opinião. Consulta feita pelo Senado em outubro do ano passado apontou que 89% dos 1.232 entrevistados desejam imputar crimes aos adolescentes que os cometerem. De acordo com a enquete, 35% fixaram 16 anos como idade mínima para que possa ter a mesma condenação de um adulto; 18% apontaram 14 anos e 16% responderam 12 anos. Houve ainda 20% que disseram “qualquer idade” para recebimento de condenações e punições. É com base no apoio popular que parlamentares sugerem a realização de um plebiscito para definir a questão. Tramitam no Senado e na Câmara mais de dez projetos de decreto legislativo (PDS) sugerindo a consulta popular sobre o tema. O mais recente é o do senador Ivo Cassol (PP-RO), que propõe que a população se manifeste sobre a redução da maioridade penal para 16 anos já nas eleições de 2014. Representantes do governo federal, entretanto, se manifestaram nesta semana contrariamente à possibilidade de mudança na legislação. Questionado sobre a proposta de Alckmin, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), se disse aberto a discussões que levem à atualização do ECA, mas se manteve contrário à redução da maioridade penal. “O ECA representou um grande avanço, com medidas muito significativas. Mas claro, temos que abrir discussões permanentemente para refletir sobre ele, sobre o que deve avançar e o que não deve. (…) A redução da maioridade penal não é possível, porque é inconstitucional. (…) Eu acho que projetos de lei que respondem a situações têm que ser muito bem analisados e nós temos que tomar cuidado com o calor do momento”, ponderou. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou que a redução da maioridade penal poderia não diminuir a incidência de crimes entre adolescentes. Ele disse ser a favor de que haja medidas para evitar que jovens cometam infrações, com medidas de apoio do governo. “Hoje mesmo ouvi um argumento de que poderia se reduzir para 16 anos. Mas e daí, se o sujeito tem 15 e comete um crime, reduz para 14? Não sei se é por aí a solução. A solução talvez seja aquilo que o governo federal está tentando fazer. Os mais sérios planos para se incentivar os menores, para dar amparo. O Brasil Carinhoso é um exemplo”, analisou o vice-presidente. É ou não é uma sinuca de bico. De quem é a próxima tacada? Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

5ª Coluna Jogo de Cintura 09.03.2013 Carta aberta a Bento XVI

….. “é um grande homem, que ama profundamente a Igreja de Jesus Cristo!” E vieste no teu pontificado. Tantas coisas para resolveres, talvez uma das mais dramáticas tenha passado despercebido: “ainda nos funerais de João Paulo II, uma multidão apertada na praça de São Pedro começou a gritar desvairadamente: João Paulo II, Santo Já, imedidatamente…… Ali, Bento, começou teu calvário, porque sabíamos o grande grau de suspeição que recairia sobre ti, dados os prazos que normalmente a Santa Igreja tem com relação a estes momentos e pelo que me lembro, e poucas pessoas se lembram da história, a última vez que isto teria acontecido, salvo melhor juízo, foi na morte de Santo Antônio, quando o povo que o conhecia, invadiu as praças para gritar: Antônio, santo já! Antônio, santo já.!, Então, caros leitores, desta carta ao Bento XVI, querem saber quando aconteceu? Justamente na morte de Santo Antônio. E tu deveste administrar este grave momento da história. E o fizeste com maestria e com leveza de espírito, porque soubeste tratar de uma questão tão delicada. E o fizeste bem. A função que recebeste dos teus colegas e irmãos cardeais te apresentaria tantos outros espinhos que seriam terminantemente cravados na tua carde. Os desencontros na Universidade da Alemanha, quando citaste um imperador muçulmano, e foste condenado peremptoriamente pelas palavras de um muçulmano. A aula-magna em Regensburg foi outro motivo de ataques a ti, Romano Pontífice. Disseram que, ao citar um diálogo de Miguel II, o Paleólogo, com um erudito persa, estavas desrespeitando o Islamismo e Maomé, o seu profeta. Tiveste que explicar, em nota posterior, que fizeste apenas uma citação ilustrativa sem te comprometeres com a ideia do autor citado. Os ânimos se serenaram e pouco tempo depois, estiveste na Mesquita de Istambul, na Turquia onde entraste descalço, não por relativismo religioso, mas, sim, por respeito à cultura religiosa islâmica. E o famoso episódio da visita ao capo de concentração? Quanta polêmica. Aliás, profeticamente teu pontificado foi marcado por algumas delas e estas polêmicas fizeram toda a diferença porque trouxeram à tona discussões necessárias e indispensáveis ao homem moderno. Das polêmicas, o primeiro foi o proferido no Campo de Concentração de Auschiwitz, em que repetiste a angustiada pergunta do povo: Onde estava Deus? – Ora, retirando o texto do contexto, acusaram-te, Santo Padre, de teres blasfemado, pois parecias duvidar do Pai celeste, que te chamou ao ministério de Pedro. E na verdade, repetiste o grito do povo, reproduzido por escritores diversos, para responder-lhe que não cabe a nós julgarmos a Deus, em momento algum, mas, ao contrário, nesse grito ao Senhor devemos olhar para nós mesmos, a fim de tentarmos entender também a nossa responsabilidade frente aos trágicos acontecimentos da história. Mas o que marcou muito e profundamente tua vida e teu pontificado, foram os vários casos de pedofilia de pessoas diretamente ligadas à Igreja. Já no ano de 2002, teu predecessor de saudosa memória, João Paulo II, havia dito que uma grande sombra de desconfiança estava pairando sobre a Igreja por causa dos pecados de alguns de seu filhos. O cardeal que fará o anúncio do teu sucessor, o Francês Jean Louis Tauran, em 1992, nos chamou a nós padres latino-americanos da Academia Eclesiástica, à Secretaria de Estado do Vaticano, e nos alertou: “Vejam, vocês estão embarcando para os Estados Unidos, nos próximos dias, para um trabalho e experiência pastoral na Arquidiocese de Los Angeles, com o arcebispo Mahony. Tenham muito cuidado, não fiquem sozinhos e isolados com crianças, a não ser no momento sagrado da confissão, porque está em curso nos USA a indústria da denúncia de pedofilia, pois a qualquer um pode ser imputada a denúncia, desde que se encontre nestas circunstâncias e situação. Portanto estejam atentos em razão de sua cultura regional na América Latina de contato próximo com as pessoas.” E ali, Bento, eu já percebia o calvário que a Igreja sofreria em razão de problemas internos de mal comportamento de alguns de seus filhos. Sem tomar teu precioso tempo, pois tu também deves estar já ansioso para o próximo conclave e ver tua igreja entregue novamente às mãos de te sucessor, mas vale recordar aqui alguns dados importantes e interessantes, se não vejamos: Bento XVI, tu foste, mais de uma vez, acusado de cumplicidade nos casos de pedofilia dos clérigos e religiosos que abusaram de seus fiéis e chegaste até a ser ameaçado de processo judicial por um advogado norte-americano sensacionalista. O fato caiu no vazio por falta de provas. Vale lembrar, pelo menos, duas questões: 1) o jornalista Leandro Sarmatz, após estudar bem o tema “pedofilia”, declara: “Nos Estados Unidos, cerca de 80% dos casos de abuso sexual de crianças ocorrem na intimidade do lar: pais, tios e padrastos são os principais agressores. O noticiário da TV alardeia o escândalo dos padres pedófilos […], mas o grosso dos casos acontece mesmo dentro da casa”. Para ilustrar o que disse, Sarmatz cita o caso escabroso de uma menina de 13 anos abusada pelo avô. “Detalhe: suspeita-se que o avô, na verdade seja pai da menina, pois anteriormente ele mantivera relações sexuais com a mãe dela e filha dele” (Superinteressante, maio de 2002, p. 40); 2) os tão alardeados casos de pedofilia cometidos por padres nos Estados Unidos somados em várias décadas não passavam de 0,3% dos religiosos. Na Irlanda, os padres pedófilos somam 43 em 49 anos, número insignificante (deveria ser quase nulo), embora causem alarde por serem os sacerdotes ministros de Deus e grandes responsáveis pela defesa da inocência das crianças. Tais ocorrências, devidamente comprovadas, não podem ser toleradas nem pela Igreja e nem pelo Estado, em qualquer parte do mundo. A ocorrência de casos de pedofilia na Igreja é, portanto, real, pois, embora santa, a mãe-Igreja traz em seu seio filhos pecadores ou mesmo doentes mentais, que devem ser afastados imediatamente de suas funções e encaminhados para tratamento psicológico e/ou psiquiátrico, conforme o caso. Todavia, a solução para esses casos está na espiritualidade retamente vivenciada, na formação séria do dever assumido e na punição dos errantes, não no matrimônio por exemplo dos padres tão simplesmente como forma de solucionar a questão, até porque, como já foi visto, a vida sexual ativa não impede a prática da pedofilia, haja vista os casos envolvendo pessoas de todas as classes na sociedade, como médicos, advogados, professores, pais e padrastos. A imensa maioria dos casos ocorre nos lares ou nas estruturas da sociedade. Ora voltando então a ti, Ratzinger, vemos que os casos foram enfrentados, de modo sereno, mas destemido, seja enquanto foste prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, seja na condição de Papa, sucessor de Pedro. Afrontaste os casos mais dolorosos e os resolveste com a firmeza e competência necessária, pois convocaste a todos nós à tolerância zero com os pedófilos sejam quais forem, te encontraste com vítimas de clérigos pedófilos em Malta, em 2010, abordaste corajosamente a questão em tua visita aos Estados Unidos da América e jamais deixaste de tratar com severidade tal comportamento a ponto de seres elogiado pela revista Veja, de 22 de fevereiro último. Aqui descobrimos então que podes, a justo título, ser considerado um grande batalhador na defesa da fé e da moral católica, moral que, evidentemente, condena e combate a pedofilia e, por isso a seguiste à risca fazendo, como pôde, uma verdadeira faxina entre os poucos clérigos e religiosos pedófilos que mancham a maioria séria e cumpridora fiel de sua missão de anunciar o Reino de Deus entre os homens….. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

4ª Coluna Jogo de Cintura 03.01.2013 Carta aberta a Bento XVI

Caríssimo Papa Bento XVI, faz já algum tempo que tenho pensado seriamente em te escrever uma carta, contudo, como tu sabes, e o sabes muito bem, pois tens te tornado uma pessoa conectada, com o desenvolvimento das novas tecnologias, ao mundo todo, a gente foi, ao longo dos últimos anos, perdendo aquele gostinho de enviar e receber cartas. Bom, nem todos, pois de vez em quando recebo algum postal da queridíssima irmã Francismara, lá do convento de Clausura em Brasília. É muito bom e chega a ser maravilhoso receber de vez em quando uma correspondência de pessoas queridas. E como me faz bem receber uma cartinha, um bilhete ou coisa parecida. Estamos perdendo, se já não perdemos este romantismo. Mas hoje, trocamos e-mails, né? Falam que é mais rápido, mais objetivo, e tantas outras coisas fúteis…. Podem até ser mais rápidos, mas não são tão mais agradáveis. Isto não são! Lembro-me com emoção, Bento, daquela vez, lá pelos idos de 1993, em Roma, quando ali estava para os estudo de Direito Canônico e Direito Internacional, na Pontifícia Academia Eclesiástica, e na Segunda Seção da Santa Sé, aquela que trata das relações da Santa Sé com os Estado acreditado junto ao Vaticano, quando, numa manhã daquelas tão comuns em Roma, de uma hora para outra, (ah, tu não eras ainda Bento XVI, mas eras já um importante cardeal da Santa Igreja Romana, Prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, dicastérios romano que tutela a são doutrina e a sagrada tradição, e por te chamarem lá na Inglaterra até: rotwailer de Deus. Eras assim o cão de guarda da ortodoxia. Eras o leão de chácara do gigantesco João Paulo II, de quem te coube a honra e o sofrimento de te tornares sucessor, me vi sentado ao teu lado dentro de um ônibus de linha. Certo é que te aproximaste e tomaste assento no ônibus da linha 64, aquela famosa linha de ônibus que corta o coração de Roma. Nem me lembro bem de onde vinhas e nem para onde ias. Lembro-me de que, de uma hora para outra, estavas ali sentado do meu lado…. E tua presença causou tanto rebuliço no ônibus, que vários colegas meus naquela viagem ficaram mais espantados com a tua presença do que eu mesmo com a tua companhia, pois só depois de ter sido alertado pelos companheiros é que me dei conta e notei quem era o meu companheiro de banco de ônibus e onde estava. E como foi bom ter encarado isso com tanta naturalidade, pois à tua pergunta de onde eu era, e tendo te respondido que era brasileiro, deste um sorriso daqueles que somente tu sabes dar, por trás do qual se percebe um homem sensível, delicado e atencioso com teus interlocutores. Ali eu mesmo já não tinha aquela imagem que te implantaram de um homem duro, seco, inacessível. Não foi esta a sensação que me veio à mente. E nem nós dois tu e eu poderíamos imaginar que serias elevado ao Trono de São Pedro alguns anos mais tarde, não é mesmo? Mas eu já te admirava pelos teus escritos e por aquela inesquecível aula na Universidade La Sapienza, quando foste falar dos dramas e desacertos do homem contemporâneo. La Sapienza é uma Universidade do Estado Italiano, uma das melhores do mundo, mas também um ambiente avesso a coisas religiosas, como quase todas as universidades hoje em dia, não é mesmo? E muitos se esquecem de que foi a Igreja, na Idade Média, o tão falado período obscurantista, que criou as Universidades, como as temos hoje.  Lembro-me bem de quando chegaste ao anfiteatro da tua exposição: chegaste, e como os tempos não te eram propícios, levaste uma solene vaia dos mais de 1200 alunos presentes e convidados a estas grandes salas, que conhecemos por Aulas Magnas, em Roma, e não te deixaste contagiar e contaminar pelo ambiente avesso naquele momento. Com serenidade suportaste a indelicadeza das vaias de teus ouvintes, muitos deles tomados de prematuro preconceito, e tranquilamente te apresentaste, como se isso fosse mesmo muito necessário, e começaste a falar… e falaste por mais de 90 minutos, e à media que falavas, todos íamos ficando suspensos de teus lábios e embevecidos de tuas palavras e raciocínio rápido e bem humorado, pois entre um e outro pensamento mais sério e delicado, sabias jocosamente jogar com as palavras e com elas brincavas e nos divertias a todos, e só então nos demos conta de que estávamos diante de um monstro sagrado da Igreja Católica. Teu italiano bastante razoável para um alemão de origem. Discorreste maravilhosamente sobre os dramas e os traumas do homem contemporâneo no seu todo e nos deixaste uma lição inesquecível de antropologia filosófica e religiosa. Resultado: ao final da tua preleção, te arremetemos uma saraivada de aplausos que demoraram mais de 15 minutos, lembras-te? Aliás a esse negócios de aplausos prolongados tu estás absolutamente acostumado, não é mesmo? Então naquele 19 de abril de 2005, depois de todo o calvário de sofrimento de teu particular amigo e confidente João Paulo II, os cardeais da Santa Igreja resolveram te chamar para substituir um dos maiores papas da história da Igreja. Alguns esperavam, outros se assustaram e todos ficamos admirados. Nosso ex-arcebispo, Dom Luciano, naquele dia, estando ainda em Barbacena, me telefonou dizendo que passaria por Lafaiete, e estaria aqui na casa paroquial tanto para conversarmos um pouco, quanto para acompanhar a eleição do novo papa, preferencialmente ao vivo, na televisão, o que para mim foi um gesto de amizade e delicadeza, mesmo porque ele sabia que gosto de acompanhar as notícias do mundo todo em várias línguas desde as primeiras horas da madrugada… E depois daquela confusão toda gerada em torno do nome do novo Papa, pois as televisões não tinham percebido claramente qual era a idéia que tinhas para o teu nome do novo pontificado, quando se chegou ao consenso de que havias escolhido mesmo o nome de Bento, e passavas de Cardeal Ratzinger para Bento XVI, Dom Luciano, de mãos unidas e mãos postas, me convidou para rezarmos juntos um Pai Nosso e uma Ave-Maria nas tuas intenções e antes mesmo que aparecesses no Balcão do Palácio Apostólico, na Basílica de São Pedro, já estávamos ali nós dois rezando por ti e pelos frutos de teu ministério petrino. E estas foram as palavras de Dom Luciano: “é um grande homem, que ama profundamente a Igreja de Jesus Cristo!”…… Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

3ª Coluna Jogo de Cintura 03.01.2013 Segurança, Sim! Histeria, Não!

 

Nem bem começamos o ano e já nos deparamos, em nível nacional com uma das tragédias mais fortes e contundentes neste início de ano. Quem não se comoveu vendo os corpos daquelas dezenas de jovens estirados no chão… Ali estavam também os corações transpassados de profundíssima dor, de uma agonia que não tem mais nem dia nem hora para terminar. As cenas mostradas imediatamente pelos canais de televisão e que correram o mundo, naquele macabro 27 de janeiro do corrente ano foram de assustar qualquer pessoa que se julgasse mais segura e madura. Quem poderia imaginar as cores carregadas daquela tragédia anunciada? Todos ficamos boquiabertos e estupefatos diante das cenas dantescas que se nos apresentaram. Teria sido necessária muita indiferença e insensibilidade diante do ocorrido. Os comentários que correram o mundo na velocidade do sensacionalismo e nas análises levianas, leves e soltas não foram menos aterradores. Numa hora dessas, é que damos o verdadeiro valor à virtude do equilíbrio e da maturidade. Nem sempre é fácil fazer uma análise isenta e serena sobre os fatos relatados. Normalmente somos tomados pela emoção, que não é lá uma boa companheira diante destas questões. Certo é que a superficialidade também tomou conta de um certo histerismo diante dos gravíssimos fatos ocorridos. Mais certo ainda que a busca desenfreada pela audiência e pela imprescindível busca do aumento de venda dos jornais e revistas foi a tintura carregada com que se procurou emoldurar o fatídico acontecimento. Agora chegou a hora e vez da caça às bruxas…. e vai sobrar para todas, mesmo as que não estiverem de plantão…. Aliás, a leveza com que se jogou na cara de parte da população a responsabilidades de nossos governantes, como se eles pudessem ser os únicos culpados dos desmazelos e descalabros operados na sociedade. Algumas situações, se não fossem tão trágicas, na verdade se tornariam cômicas. Precisamos de reconhecer a importância do estado de direito, mas não podemos ser ingênuos de querer um estado dominador e intrometido nos afazeres e no dia-a-dia de nossas vidas. Parece até que estamos descobrindo a quadratura do círculo ou a circunferência do quadrado? Sei lá… vai saber…. como dizem…. Temos que reconhecer o indispensável papel dos grandes guardiões de nossa segurança, sobretudo nas forças de segurança em todos os níveis e situações. Aqui vale sempre uma menção honrosa e reconhecida de nossos bombeiros. Agora entre este reconhecimento e uma folha em branco, como se não fôssemos capazes de gerir nossos próprios empreendimentos está uma bela de uma diferença. A fiscalização das forças auxiliares de segurança no que lhes tange a constitucionalidade da lei e a atenta vigilância das instâncias governamentais em todos os níveis da federação são uma exigência ética e moral, que afeta a todos nós. Mas não podemos prescindir também das nossas liberdades de escolha. Escancarar o problema é correto e até necessário, agora nivelar todo mundo por baixo e dizer que somos todos irresponsáveis e inconsequentes, porque aconteceu uma tragédia deste nível em circunstâncias e ocasião que sequer são nossas ou pertecem ao nosso modus vivendi, bom, na verdade, e me desculpem as consciências mais delicadas, mas esta é uma outra história. O ideal é uma rápida mudança de mentalidade, pois enquanto isso não ocorrer, talvez estejamos à mercê de outras tragédias no porvir não muito longínquo. Em todos os níveis, Segurança, sim, mas, definitivamente, não cebe histerismo. E existe um quê de histerismo em algumas colocações e reportagens que assolam o país afora. Tenho dito! Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

2ª Coluna Jogo de Cintura 21.01.2013 Apagão da Consciência!

Os tempos começam a correr novamente. Tivemos a falsa sensação de que as coisas talvez pudessem mudar ou pelo menos desacelerar. Mas nem tanto. Continuamos com o pique desmesurado e agitado de sempre. Enganosamente nosso organismo se adequa para nos passar uma falsa compreensão de que tudo pode mudar… pode nada…. tudo muda, se, na verdade, a gente mesmo tomar a decisão de mudar. Sendo assim, basta um olhar um pouco mais crítico e aprofundado, para ver como que as coisas estão. As inconsequências continuam no mesmo tom, haja vista algumas tragédias anunciadas, com as quem têm ocorrido e se repetido em nosso país nos últimos anos. A falta de investimento em infraestrutura tem nos causado grandes e graves problemas. Agora estamos mais uma vez, depois sobretudo do final do desgoverno de FHC, em que as coisas saíram definitivamente dos trilhos, apesar de toda a privataria, sobre a qual ninguém tem a mínima informação e não se sabe aonde foram parar os recursos amealhados com venda de nossos maiores interesses. Certo é que estamos diante de um gravíssimo pane em todo o nosso sistema de transmissão de energia, embora os burocratas do Governo teimem em dizer que a situação está sob controle. Sob controle precisa de estar nossa saúde financeira, pois pagamos uma das energias mais caras do mundo, apesar da tentativa de se diminuir o custo da mesma, em recente medida administrativa, já aprovada pelo Congresso Nacional. Certo é que, às portas de grandes eventos de amplitudes mundiais: Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo da Fifa-2014 e Olímpiadas, em 2016, nós nos vemos à volta mais uma vez com o problema dos APAGÕES. De apagão em apagão, não importa sua dimensão, se local, regional ou nacional, estamos assistindo a derrocada do custo altíssimo da falta de investimento em um quesito importante em qualquer país, que a infraestrutura. Precisamos cobrar das autoridades uma postura mais incisiva e determinante para podermos ver como fazer que a tranquilidade retorne aos nossos lares. Nem sempre a grande imprensa aborda o tema com propriedade, porque está à mercê de seus patrocinadores, e aí os interesses econômicos vão às alturas, deixando a responsabilidade de uma crítica construtiva. Mas existe um outro apagão mais terrível ainda, que é o apagão da consciência, da responsabilidade moral e social que pesa sobre todos nós. Aqui lidamos com situações extremas, uma vez que o risco está na dignidade da pessoa humana, que, afastada dos princípios morais e religiosos, não consegue avançar para águas mais profundas, como aconselhava do divino Mestre, o Mestre dos mestres. Os casos de violência doméstica, os problemas gravíssimos do assédio e do abuso sexual de crianças e adolescentes, também eles vítimas de uma televisão destruidora dos grandes valores morais e religiosos em nossa sociedade, os sequestros infindáveis de crianças, os desaparecimentos de pessoas de uma hora para outra, em vários lugares do país, basta ver a frequência com que são postadas notícias deste teor… Tudo isso nos leva a crer que estejamos passando por um grave problema de apagão moral e de consciência. O que fazer? Cada um cumpra com suas obrigações, todos nós tenhamos olhar crítico e atento sobre estas realidades, para não fugirmos aos graves problemas que nos afetam a todos homens e mulheres. Quando não uma consciência bem formada, corremos o risco de jogar o país e a sociedade a que pertencemos num turbilhão sem fim de problemas e dificuldades. Valeria perguntar, e sua consciência como vai? ! Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br