A CULPA DE TODOS NÓS! ABAIXO A HIPOCRISIA!

Terminou a Copa do Mundo na África, errei meus prognósticos, porque lá no fundo no fundo, a gente acaba sempre torcendo pelo time da gente, embora muitos estivessem torcendo para outras equipes, algumas como a Argentina, e nem sei se era mesmo para ver o Maradona peladão em praça pública. Ainda bem que Alemanha livro o mundo de um quadro absolutamente lastimável e execrável como esse que teria acontecido, se “los hermanos” tivessem chegado à vitória. Ah! Foi muito bom, porque nossa ressaca durou tão somente 24 horas. Nossa alma foi lavada de maneira espetacular e incontestável pela atuação da Alemanha. E não é que acertou todas as apostas aquele chatinho do polvo Paul, lá na Alemanha? Aliás, já passou da hora de ele servir para um bom guisado, né? De qualquer forma, venceu a seleção que, com mais coragem e determinação, buscou sempre o futebol ofensivo, ainda que nos parecesse a conta-gotas, pela fraca quantidade de gols marcados durante o campeonato. Nos mata-matas, o placar sempre foi bastante exíguo, como todos nós pudemos ver. Sagrou-se campeã a seleção da Espanha, numa sua primeira participação em final de mundiais, bastante ao contrário da quase extinta e famosa Laranja Mecânica, que, na verdade, somente soube azedar nosso suco de laranja, algumas semanas atrás. Mas até para sair da monotonia de tantas matérias futebolísticas, veio à tona o escabroso e horripilante caso do ex goleiro do Flamengo Bruno. Na verdade, todos nós já estamos enfarados de todo este noticiário, cujas informações vão caindo em nossos ouvidos e entrando em nossa casas, através da televisão sobretudo, mas presente em todos os meios de comunicação, em doses quase que homeopáticas. Eu fiquei estarrecido com o enredo dantesco e horripilante dos relatos, que fariam corar o autor do mais terrível filme de suspense e drama já escrito. Mais estarrecedor ainda foi a reação de toda a nossa sociedade, com um refinado senso de hipocrisia e falsidade diante dos fatos que começavam a emergir de tão grande e nefasta barbárie. A cada notícia divulgada, vamos nos dando conta de todo o processo abominável que foi montado para executar essa inescrupulosa garota, que colocou, de maneira tão irresponsável, sua vida em perigo, e com cuja desgraça e fatalidade, tivemos conhecimento de toda a podridão que está na vida de tantos e famosos jogadores de futebol. É preciso um cuidado muito grande para não cairmos num discurso moralista e midiático, como já se apresenta, porque a culpa é de cada um de nós. E de todos nós. Cada vez mais nossa sociedade se apresenta sempre mais hipócrita e falsa diante dos verdadeiros valores morais, éticos e religiosos. Não tivessem sido abandonados os mandamentos da Lei de Deus, talvez não tivéssemos chegado a esse supino cinismo com que todos nós hoje comentamos os fatos ocorridos. O que se pode esperar de uma sociedade que abandona a Lei de Deus, que vilipendia os preceitos divinos, que joga no lamaçal a dignidade humana? Nada, absolutamente nada! O que esperar, quando achamos a maior graça de nossas crianças que já sabem falar palavrão, de alguns pais irresponsáveis e inconseqüentes que ensinam seu filhinho ou filhinha a dizer aquelas palavras horríveis e feias, olhando e dizendo elogios, que significam o passaporte para as atitudes grosseiras e infamantes? E as músicas de duplo sentido, que maculam a beleza e a delicadeza do corpo humano? E os adolescentes e jovens que já trocam a noite pelo dia? E nossas festas, cujos shows começam lá pelas tantas da madrugada, e aqueles tantos que saem para a balada, para a night já bem depois da meia-noite? E esses donos de bares, que, inescrupulosamente, vendem bebidas alcoólicas para menores de idade? E estas festas, orgias, churrascos e bacanais que acontecem nos arredores de nossa cidade, com a conivência de alguns pais e com a indiferenças de algumas autoridades? Onde estão os pais, que deveriam exigir das autoridades, sobretudo, um limite para estes horários totalmente invertidos no acesso à diversão e ao lazer, muitas vezes encarados de maneira perigosa e perniciosa? E a Igreja, que para não desagradar a seus fiéis, comete, neste caso, o gravíssimo pecado da omissão, porque, covardemente, se cala com medo das conseqüências e até do possível abandono de suas fileiras? Onde está a coragem profética de nossos padres, de nossos agentes de pastoral, para ajudar a recolocar as coisas nos seus devidos lugares? O que esperar de uma sociedade que aceita e vive dando altíssimos índices de audiência na televisão aos big brothers da vida, com os “reality shows”, onde todos ficam atrás, na verdade, dos corpos sarados de homens e mulheres, sobretudo debaixo dos hedredons do dia-a-dia num desejo quase incontido de extravasar a podridão que está dentro de cada um de nós, quando perdemos o respeito por nós mesmos e pelos outros? Não consigo entender o cinismo com que nos comportamos diante destes fatos, e como ficamos, aparentemente, envergonhados com os fatos que, de vez em quando, ocorrem em nossa sociedade podre e hipócrita. Algo precisa de ser feito, e cada um pode fazer segundo suas capacidades ou pessoais, ou familiares ou institucionais. Está na hora de cada um assumir com coragem e determinação a sua parcela de culpa em tanta podridão. Quem sabe não chegou o tempo de nos unirmos e dar um basta nisso tudo? E você, o que tem a dizer sobre tudo isso. Mostre com suas atitudes aquilo de que você é capaz.

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