9ª Coluna Jogo de Cintura 29.04.2013 E os nossos hospitais, para onde vão?

Estamos novamente às voltas com os graves problemas que afetam nossos hospitais, e por conseguinte, toda a nossa infraestrutura na área da saúde. Entra governo, sai governo, cada vez mais nos olhamos com tristeza e amargura existencial, uma vez que não conseguimos encontrar as soluções práticas para os graves problemas com que nos deparamos. O drama maior fica para aqueles que dependem basicamente do mínimo necessário, pois nem todos têm condições financeiras equilibradas e tranquilas o suficiente para bancar um bom plano de saúde. Sem falar que as operadoras ou concessionárias de plano de saúde trabalham num corporativismo insuperável e incontrolável, colocando a parte mais frágil e insegura num processo desmesuradamente incongruente e inconsequente no trato de questão cada vez mais agravada como são as pessoas das classes sociais mais baixas. As notícias que temos não são as mais alentadoras, mesmo porque não sabemos na verdade como anda a saúde financeira dos nossos hospitais. Em Conselheiro Lafaiete, a demanda pela saúde é enorme, dado o centro de referência que se tornou a nossa cidade para as cidades circunvizinhas. E a responsabilidade não é somente dos administradores de nossa cidade. Todo mundo vem para Lafaiete tratar de sua saúde, e não temos tecnicamente como mesurar esta demanda, visto que nossos centros de atendimentos vivem constantemente lotados e a capacidade de resposta prática e imediata dos operadores da saúde nem sempre é satisfatória. Herdamos um sistema combalido, quanto falido de uma estrutura inepta e ineficiente. Não se trata aqui de jogar pedra em quem quer que seja, entretanto seja de esperar dos administradores que procurem e apontem soluções para o drama que vivemos. Por outro lado as conversas a “quatro olhos” nos dão conta e ciência de que existem graves questionamentos que precisam de ser feitos sobretudo aos operadores da saúde que usam as dependências dos hospitais para utilização de equipamentos particulares, não correspondendo com o devido pagamento de aluguel do ambiente utilizado. Existe aí alguma situação de espólio e uso indevido de um espaço que deve estar à disposição de todos e não de interesses particulares. Precisamos de esclarecer estes pontos e deixar a comunidade a par da real situação, uma vez que se atira para todos os lados, muitas vezes enxovalhando a honra e a dignidade de pessoas honestas, e nem sempre as questões são abordadas com a devida seriedade e clareza. Há interesses escusos. E como os há! Uma parte da sociedade se mobilizou e se mobiliza para ajudar a encontrar as soluções, mas os conchavos políticos, as vaidades pessoais e algumas ambições financeiras não deixam as soluções dos problemas tomarem seu curso devido. Não seria o caso de nos sentarmos todos, especialistas e analistas, operadores da saúde e formadores de opinião, aqui inclusos os líderes religiosos e de igrejas para procurar juntos as soluções para os nossos problemas? O clima tende a piorar, porque as picuinhas começam a aparecer e os interesses financeiros e corporativistas são muito grandes. Alguém não quer largar a teta da vaca dos peitos dourados, pelo menos por enquanto, e a corda vai esticar até um ponto, a partir do qual depois vai ficar difícil restabelecer qualquer tipo de diálogo. A situação é gravíssima e não podemos nos furtar a conversar e rediscutir os problemas e as dificuldades que permeiam estas tratativas. Não é possível conviver numa sociedade onde poucos levam lucro e vantagem exacerbadas em cima do sofrimento da população mais carente e desprovida de recursos. Pesa sobre os médicos, de modo especial, diante de Deus, sobretudo, a responsabilidade de sua consciência livre e soberana, de acordo com o juramento feito no dia da colação de grau. Não queremos desmerecer e desconhecer a dedicação dos médicos e operadores outros da saúde, mas é preciso que revisitemos nossos ideais e propósitos de apenas formados nas escolhas que fizemos livremente no início da nossa juventude e no início de nossas carreiras profissionais. Existe muita gente generosa e dedicada, mas existem alguns outros que chegam ao exacerbado mercenarismo. Pesará sobre todos nós o julgamento do Senhor! Confio em que as pessoas sérias e responsáveis encontrarão as respostas para as perguntas que nos pomos nas atuais circunstâncias. Ainda acredito que chegaremos ao denominador comum e a um bom termo. Não vejo razoável e plausível sensatez deixar que hospitais se fechem por causa de vaidades pessoais de quem quer que seja. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

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