3ª Coluna Jogo de Cintura 03.01.2013 Segurança, Sim! Histeria, Não!

 

Nem bem começamos o ano e já nos deparamos, em nível nacional com uma das tragédias mais fortes e contundentes neste início de ano. Quem não se comoveu vendo os corpos daquelas dezenas de jovens estirados no chão… Ali estavam também os corações transpassados de profundíssima dor, de uma agonia que não tem mais nem dia nem hora para terminar. As cenas mostradas imediatamente pelos canais de televisão e que correram o mundo, naquele macabro 27 de janeiro do corrente ano foram de assustar qualquer pessoa que se julgasse mais segura e madura. Quem poderia imaginar as cores carregadas daquela tragédia anunciada? Todos ficamos boquiabertos e estupefatos diante das cenas dantescas que se nos apresentaram. Teria sido necessária muita indiferença e insensibilidade diante do ocorrido. Os comentários que correram o mundo na velocidade do sensacionalismo e nas análises levianas, leves e soltas não foram menos aterradores. Numa hora dessas, é que damos o verdadeiro valor à virtude do equilíbrio e da maturidade. Nem sempre é fácil fazer uma análise isenta e serena sobre os fatos relatados. Normalmente somos tomados pela emoção, que não é lá uma boa companheira diante destas questões. Certo é que a superficialidade também tomou conta de um certo histerismo diante dos gravíssimos fatos ocorridos. Mais certo ainda que a busca desenfreada pela audiência e pela imprescindível busca do aumento de venda dos jornais e revistas foi a tintura carregada com que se procurou emoldurar o fatídico acontecimento. Agora chegou a hora e vez da caça às bruxas…. e vai sobrar para todas, mesmo as que não estiverem de plantão…. Aliás, a leveza com que se jogou na cara de parte da população a responsabilidades de nossos governantes, como se eles pudessem ser os únicos culpados dos desmazelos e descalabros operados na sociedade. Algumas situações, se não fossem tão trágicas, na verdade se tornariam cômicas. Precisamos de reconhecer a importância do estado de direito, mas não podemos ser ingênuos de querer um estado dominador e intrometido nos afazeres e no dia-a-dia de nossas vidas. Parece até que estamos descobrindo a quadratura do círculo ou a circunferência do quadrado? Sei lá… vai saber…. como dizem…. Temos que reconhecer o indispensável papel dos grandes guardiões de nossa segurança, sobretudo nas forças de segurança em todos os níveis e situações. Aqui vale sempre uma menção honrosa e reconhecida de nossos bombeiros. Agora entre este reconhecimento e uma folha em branco, como se não fôssemos capazes de gerir nossos próprios empreendimentos está uma bela de uma diferença. A fiscalização das forças auxiliares de segurança no que lhes tange a constitucionalidade da lei e a atenta vigilância das instâncias governamentais em todos os níveis da federação são uma exigência ética e moral, que afeta a todos nós. Mas não podemos prescindir também das nossas liberdades de escolha. Escancarar o problema é correto e até necessário, agora nivelar todo mundo por baixo e dizer que somos todos irresponsáveis e inconsequentes, porque aconteceu uma tragédia deste nível em circunstâncias e ocasião que sequer são nossas ou pertecem ao nosso modus vivendi, bom, na verdade, e me desculpem as consciências mais delicadas, mas esta é uma outra história. O ideal é uma rápida mudança de mentalidade, pois enquanto isso não ocorrer, talvez estejamos à mercê de outras tragédias no porvir não muito longínquo. Em todos os níveis, Segurança, sim, mas, definitivamente, não cebe histerismo. E existe um quê de histerismo em algumas colocações e reportagens que assolam o país afora. Tenho dito! Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

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