12ª Coluna Jogo de Cintura 19.05.2013 Cada um no seu quadrado? Estado em excesso!

Lafaiete, como quase sempre, vez que outra, tem uns eventos e acontecimentos, se não interessantes pela própria natureza da coisa, pelos menos por alguns conceitos que nos deixam ou maravilhados, extasiados ou mesmo sob estado de choque, seja lá qual for, que não seja pelo menos aquele de uma forte corrente elétrica. Fato é que as coisas vão se desenvolvendo de uma maneira bastante inusitada, digamos assim. E há fatos relevantes, não resta a menor dúvida, embora sobre eles recaia um laivo de desconfiança. Ou existem mesmo aquelas pessoas de plantão para somente criticar e depreciar o que os outros fazem. E esta é uma atitude muito cômoda, diga-se de passagem. Nas redes sociais, encontramos farto conteúdo de contestação, de xingamento, de impropérios e tantas outras coisas. Aliás, aos poucos, até mesmo alimentado por uma imprensa à qual interessa mais a fofoca e a desunião, do que o esclarecimento e a informação correta, e isto vem alimentado pelos meios de comunicação que querem cada vez mais jogar gasolina na fogueira. Falta uma responsabilidade com a credibilidade das informações e uma verificação mais serena e ponderada, antes de jogar o nome das pessoas em comentários nefastos nas redes sociais. Até as redes sociais têm se tornado o campo dos esclarecimentos e das explicações dos arranca-rabos que têm tido algumas de nossas estrelas do showbusiness em nosso país. Haja vista o bate-boca e as fofocas do cotidiano. Fico escandalizado com a leveza e a leviandade com que assuntos de foro íntimo ou que dizem respeito à vida familiar são, de uma hora para outra, expostos nos meios de comunicação, porque já extravasaram os limites do bom senso e da cautela familiar. Certo é que jogado o nome ou a fama da pessoa numa rede social, nada mais se poderá fazer para limpar a honra e a dignidade daquela pessoa. Estávamos todos na inauguração do Fórum Assis Andrade em nossa cidade, aliás uma obra necessária, indispensável, e que, por vários motivos e circunstâncias, chegou já tarde, pois as instalações do fórum de então não acolhiam com a devida honra e praticidade os processos e as demandas judiciárias de nossa comarca, quando o orador principal e atual diretor do foro, repisava uma assertiva que tinha endereço certo: cada um no seu quadrado; e eu, tendo sido chamado para, em nome da Igreja Católica, ali representada pelos mais de 85% dos presentes, dar a bênção também das novas instalações, para além da belíssima exposição do seu pensamento e das conjecturas havidas e tidas na construção da nova casa da justiça em nossa cidade e comarca, aula essa reconhecida pelo próprio governador do Estado, confesso que me tocou e me senti incomodado com a repetição do pensamento do ilustre orador, com quem comungo algumas idéias e compartilho a graça de termos nascido no mesmo torrão. Nos últimos anos temos tido uma interferência cada vez maior da estrutura estatal no “modus vivendi” de cada um de nós. Há uma sobrecarga de presença do Estado na vida do cidadão, seja pela cobrança exaustiva e exagerada de impostos e taxas, como seja pela interferência direta no modo de pensar e de agir das pessoas. Estou muito preocupado, pois poder demais ao Estado, data vênia, e salvo melhor juízo, segundo os grandes tribunos de nossos egrégios tribunais, pode causar uma falsa impressão de que o Estado é o soberano senhor da vida de todos nós, e daí até às conclusões, temos um bom pedaço de chão para percorrer, durante o qual passamos por ditaduras e autoritarismos ideológicos e filosóficos. Há que se redimensionar a presença do Estado na vida do cidadão, uma vez que a individualidade não pode vir a menos, sem que percamos grandes valores da nossa cultura e da nossa maneira de ver e de viver os desafios de nosso dia-a-dia. Precisamos rever quanto antes esta presença do Estado, dados os desafios que nos esperam como povo e como nação diante dos grandes eventos que estamos para presidir e acolher nos próximos anos. Alerto, contudo, para que o “cada um no seu quadrado” não seja também ou se torne ocasião de nãos nos comovermos ou nos interessarmos com os problemas que continuam afetando grande parte de nossa população. Hoje está em voga, de maneira sutil, um certo indiferentismo religioso ou relativismo moral, em que nossas escolhas e opções são contestadas por considerada parcela da sociedade, que ainda não conseguiu fazer uma reflexão mais ampla dos vários aspectos da nossa vida social. Quae cum ita sint, sendo assim, vamos nos dar as mãos, em nome da fraternidade universal, na tentativa de retirar dos quadrados de nossas vidas aqueles cantos nos quais podemos nos recolher e nos fechar e nos isolar, sem que nos abramos para outras experiências e uma indispensável renovação interior. Decorre disso que o círculo, ao contrário do quadrado, sempre nos inspira uma atitude de mais semelhança com todos, superando nossa limitações e fraquezas, tirando-nos daquela tentação do isolacionismo ou do individualismo exacerbado. Cada um cumpra com suas obrigações, segundo os ditames da própria consciência e da lei moral. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

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