11ª Coluna Jogo de Cintura 13.05.2013 Maioridade Penal, Para quê? Minoridade laborativa!

 

Existe um frenesi em todo o país ultimamente sobre a discussão a respeito da maioridade penal. Várias autoridades capitaneadas, sobretudo, pelo governador do Estado de São Paulo, estão envolvidas com a proposta de redução da idade para criminalizar jovens infratores e daqui a pouco crianças infratoras. Isto me parece mais,  na verdade, data vênia, como dizem os ilustres jurisconsultos, cachorro correndo atrás do próprio rabo. Corre, corre, na esperança de alcançar, mas que, no fundo, todos nós sabemos que não vai conseguir. E os Meios de Comunicação Social, cuja data celebramos sempre, na Igreja Católica, no dia da festa litúrgica da Ascensão do Senhor, têm dado importante relevância ao tema. A televisão vende e muito bem seu sensacionalismo grotesco e barato, porque pega boa parte da população num momento de choque emocional e desestabilizada por uma ou outra situação, às vezes, chocante, que acaba nos assustando a todos, isto também é verdade. Isto ainda vai dar muito pano para manga, dependendo do corte da roupa. A violência estudantil então está chegando a patamares nunca antes imaginado. Nem os adolescentes nem os jovens são somente e unicamente culpados em todos estes processos. Cada um de nós tem uma boa parcela de culpa e de omissão nesta questão. Invertemos, já faz tempo, a nossa escala de valores, e com algumas desculpas de gente que não tem o que fazer, estamos construindo, no topo de nossa arrogância, uma sociedade cada vez egoísta e individualista, marcada por um consumismo destruidor. E neste balaio entram todos: poder político, poderes constituídos, igrejas e formadores de opinião. A solução não virá num passe de mágica, e não está dito que a maioridade penal seja, na verdade, a resposta e a solução para o problema que se nos antepõe. E porque procuramos respostas mirabolantes, não nos damos conta de que a solução é bem mais simples. Culpo, antes de mais nada, uma visão equivocada de uma certa elite burocrata e de gabinete, que não percebe os fundamentos básicos de boa convivência em todo e qualquer nível de relação social. Costumo dizer aos jovens com quem me encontro frequentemente que a disciplina deve ser nossa amiga e nunca encarada como inimiga. Pois somente o jovem disciplinado e equilibrado vai ser um homem ou mulher do bem e fazer as coisas para o bem. Isto é tão claro como a luza do sol ao meio dia. Ao lado da disciplina, indispensável na formação do caráter e no desenvolvimento das qualidades intelectuais e humanas que norteiam nossa relação social, existem outros fatores que considero preponderantes: dedicação aos estudos, apego exagerado à leitura no idioma pátrio e em outros idiomas, prática constante de esportes e trabalho, bastante trabalho. Discordo veemente de uma visão estranha e esquisita de certo grupo de autoridades que se colocam contra o trabalho de menores e de crianças. E quase sempre vem com a conversa, para mim muito fiada mesmo, de que criança tem que brincar e estudar…. Chegaria a ser irônico, se não fosse trágico. Não me digam que sassaricar os dedos em cima de um teclado de computador ou celular seja brincadeira e diversão. Pelo contrário, é uma imposição positivista de um conceito equivocado de consumismo aliado perversamente a uma idéia de prazer, sem qualquer fundamentação conceptual. Temos que ter todos os mais novos e recentes aparelhos eletro-eletrônicos, com os maiores e sofisticados programas… Se nossas crianças trabalhassem mais e desde mais cedo, acredito que veríamos menos problemas do que aqueles que vemos hoje. Discutir idade ou maioridade penal é correr atrás do próprio….. Não me consta que nem nossos pais, nem nossos avós ou irmãos mais velhos se tornaram menos gente, quando tinham, ainda crianças de 7, 8 10 anos, a obrigação de sair com um balaio na mão, várias vezes na semana, vendendo as verduras colhidas na horta, para ajudar no equilíbrio orçamentário dentro de casa. E as famosas caixas de picolé? Ali se ganhava um dinheirinho justo e tranquilo. E as inesquecíveis caixas de engraxate, que víamos em nossas praças e nas portas das Igrejas de uma época? Lamentavelmente não vemos mais isto hoje e tenho uma saudade enorme de encontrar um engraxate nas nossas praças para um bom papo e um passatempo agradável. Como era gostoso e divertido. Conheci, ao longo de minha já não tão curta vida, engraxates maravilhosos, que contavam casos engraçadíssimos de travessuras e traquinagens, que, hoje, raramente vemos, a não ser ainda mais no interior do país. Criamos uma situação insustentável de Estado demais em nossas vidas. Isto não vai terminar bem. Criança tem que brincar sim, concordo absolutamente, mas acho que criança tem que começar a ter responsabilidade também mais cedo. Tem que ter tarefas que devem ser cumpridas e entregues na hora certa, trabalhos domésticos, e outros tipos de ocupação, que não sejam aquelas de computador demais, internet demais, academia demais, cursinhos de línguas demais e estudo de menos. Como disse e repito, estamos passando por uma grave crise de valores. Vamos redescobrir o valor do trabalho e da ocupação, da responsabilidade e do compromisso com a vida, dom sagrado de Deus. Ou revemos imediatamente alguns conceitos, ou continuaremos a ver assassinatos transmitidos ao vivo e a cores pelas televisões, casos escabrosos de pedofilia em todos os segmentos da sociedade, comportamentos doentios e esquizofrênicos de nossos adolescentes e jovens. Vejo com muita preocupação esta história, para mim bastante furada, de que criança não deve trabalhar. Acho que deve sim, e existem muitas atividades que não prejudicam nem a formação psicofísica das crianças e nem a sua acuidade intelectual. Ou revertemos o quadro agora ou terá sido tarde demais, quando nos dermos conta do que estamos criando dentro de nossas casas. Contato: pe.jmcs@yahoo.com.br

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